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Wellington Amâncio

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Quem é Wellington Amâncio ? Professor, fotógrafo, escritor e músico; mestre em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental pela UNEB; especialista em Ensino de Filosofia (UCAM); graduado em Pedagogia e em Filosofia (UNEB).
3 poemas para conhecer o jovem escritor alagoano Madson Costa

Madson Costa, de 19 anos, é escritor, professor de inglês, poliglota, poeta, redator e colunista. Sua trajetória pela literatura se inicia em meados de 2018, quando estava no ensino médio. O jovem escritor, desde então, passou a se afeiçoar ainda mais pelas letras, produzindo poemas e ensaios, que viriam a ser publicados posteriormente em antologias e em suas colunas, onde escreve sobre cultura e política.

Apesar de jovem, sua produção literária aponta para a proposição de reflexões sobre a questão da negritude, suas raízes são intrínsecas ao que escreve, desse modo, engendrando uma literatura crítica, reflexiva e, como ele próprio costuma a dizer, de vanguarda. A palavra vanguarda é um ponto chave para entende-lo, já que sua estrutura estético-poética propõe a inovação e o rompimento com o passado

Para ele, deve-se ter respeito pelo passado e amor pelo futuro. Suas influências por si só apontam para isso, o poeta diz que suas maiores inspirações são os dois escritores alagoanos Edson Bezerra e Lucas Litrento e o maranhense Ferreira Gullar. Outro traço característico do que ele produz é a intelectualidade como papel inerente à função do poeta. O poeta não escreve apenas o poema, ele também pensa a cultura, a política, ele reflete o seu meio, propõe o futuro, é um intelectual orgânico.

Além disso, o seu primeiro livro solo de poemas e ensaios “Os Meninos da Parte Alta” está em processo de publicação através da editora Parresia e deve sair ainda esse ano. Em virtude disso, escolhemos 3 poemas que refletem o autor e seu estilo literário, que faz com que Madson se consolide como um dos jovens nomes em ascensão dentro da nova geração de escritores alagoanos.

Terra de Sóis

em 1500 Vera Cruz é tomada
e repartida entre eles,
o cheiro de morte, da tão amarga morte
apodrece a jângala de nômades

de longe vieram em seus barcos fúnebres com incontáveis galinhas
em suas memórias traziam
d. dinis nunca será trovador provençal”

sobre as portentas margens latinas
chegaram em roupas pesadas no calor tropical
pero vaz sem caminho veementemente escreveu
“o melhor fruto, que nela se pode fazer,
é salvar essa gente de terra afável
essa gente sem lei e nem rei
que andam com suas vergonhas despidas”
e que meu deus que os salve

nas sarças pré-colombianas
bebiam cachaça cuspida de mandioca,
nas tardes com mais de mil sóis,
nas terras com mais de mil povos

os povos de longe sequer saberão tupi-guarani,
nem Bakairi, Suruí
tampouco o tore Oiapoque
ou o cocar Yahua

caiapó não conhece holandês,
os Tiriyó-Kaxuayana não destruíram florestas inteiras,
nem os pataxós trouxeram consigo centenas de vidas roubadas da África
sardinha morreu porque não era caeté
porque o Brasil sempre será Marajó

Pele Negra


o toque na pele Negra
abre as portas do Nilo
para a multidão de coisas de África
os ventos, os dias, os risos,
o mato verde seco da selva,
os azuis das lagoas, dos mares
um poema não muda a história,
não muda que brancos invadiram as margens continentais de África,
tocaram a pele Negra,
mataram a pele Negra,
escravizaram a pele Negra
navios de cascos fétidos com suas paredes tumescentes
de cheiro de morte
de cheiro de dor
navios negreiros trazendo angústias às margens latinas
navios negreiros trazendo consigo cargas de poesia
navios negreiros levando consigo vidas roubadas de África


Meu sangue negro


meu sangue negro escorre por minhas veias escuras
   eu, de fibras negras e esponjas pontiagudas,
     filho do sol e da lua, amante da noite
          eu, homem de carne, aqui deixo minha ode
             ode aos vivos e respeito ao passado
               homem guerreiro, ventos noturnos
ventos de África cá me trouxeram,
   os sopros de mãe me levaram a estes caminhos
      que agora eu percorro, as estradas de barro,
         os burros e jegues de minha cidade natal
           os passeios a cavalo, as tardes no campo,
              as lendas, os contos e mitos
            poço candente de memórias
        as matas de verde, as árvores de eucalipto
minha mãe, minha grande guerreira de pele escura

sem suas batalhas, sem seu ventre materno que vida me deu
    não estaria agora escrevendo estes versos,
       que me trazem lembranças
           estes versos a você que tanto me zela
               venho soprar meu legado de vida e dedicar-te estes versos de simples

Postada em 09/12/2020 18:45 | Atualizada em 09/12/2020 19:08
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