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Delmiro Gouveia: 100 anos do assassinato do Pioneiro da Industrialização no Nordeste
Por João Edson Barros Viana*
Foto: Divulgação/Internet

Hoje, 10 de Outubro de 2017, completam-se 100 anos do assassinato do Coronel Delmiro Gouveia – homem corajoso e destemido que veio das bandas do Ceará e que soube associar sucesso à força da iniciativa privada e ao chão de trabalho de homens e mulheres que ousaram sonhar com ele, dando origem ao complexo hidrelétrico de Angiquinho e à Fábrica de Linhas Estrela numa região inóspita do sertão alagoano, dentro das brenhas sanfranciscanas, construindo uma “cidadela” chamada “Vila Operária da Pedra”, com 257 moradias dignas, iluminadas por luz elétrica hidráulica e com a água boa e doce do Velho Chico jorrando nas torneiras; uma pequena formação urbana com Escola, Cinema, Rinque de Patinação e Casa de Saúde para os moradores. Sim. Há mais de cem anos, aqui no sertão alagoano, originou-se o que viria a ser a maior potência da região.

Delmiro Gouveia nos deu claros exemplos de superação. Nada – e nem ninguém! – o venceu. Nem mesmo as balas que o calaram em pleno esplendor dos seus 54 anos de idade, por que o seu espírito inquieto e iluminado permanece vivo ainda hoje e é muito mais forte do que elas.

Dissertar sobre a vida deste homem que entrou para os anais da História do Brasil como “Pioneiro da Industrialização do Nordeste” é muito fácil, inspirador e só me enche de orgulho por morar na cidade que ele criou do nada e que traz em sua trajetória a vanguarda e a ousadia de seu criador.

O centenário da morte de Gouveia, entretanto, nos leva a uma grande reflexão sobre os dias atuais. O que está acontecendo com a cidade projetada para o desenvolvimento e empreendedorismo? Em que desvãos dos becos mal cheirosos e escuros de hoje em dia ficaram perdidos os ideais de Gouveia? Para onde estamos caminhando? Ele foi um homem que, antes de qualquer coisa, acreditou nele mesmo e nas pessoas. Vislumbrou possibilidades. Enfrentou desafios. Sobreviveu a eles. Se “reinventou”. Esta foi a grande lição que ele nos deixou. E não é o que estamos vivenciando HOJE.

Passados cem anos da passagem de Gouveia, nós, herdeiros orgulhosos que deveríamos ser deste legado corajoso e persistente, nos damos conta de que a nossa cidade agoniza. Lentamente. Covardemente. Silenciosamente. Passiva e conformada com os desmandos e ingerência com que os nossos destinos estão sendo conduzidos.

Culpa-se, para isso, a “crise” sombria e avassaladora que detona o país. Será? A “crise” “fechou” a Centenária Fábrica da Pedra? Por que Delmiro Augusto não a fecharia? Sinto, como cidadão delmirense, a enorme vontade de citar Gregório de Matos Guerra – o “Boca do Inferno” de nossa Literatura, quando ele nos perguntou da forma mais simples e absoluta: “Que falta nesta cidade? ... Verdade! Que mais por sua desonra? ... Honra! Falta mais que se lhe ponha? Vergonha!” Pois é: falta em nossa cidade Verdade, Honra, Vergonha!

O que me deixa perplexo, é que todo mundo permanece calado e passivo presenciando a falência da maior cidade sertaneja, detentora das maiores arrecadações para o Estado, e que isto esteja acontecendo graças ao desgoverno instalado – em todas as esferas que foram instituídas para “cuidar” das cidades e dos cidadãos, cujos representantes são muito bem pagos para tal.

O que estamos assistindo (impassíveis e perplexos!) é o fim anunciado de uma potência econômica do sertão alagoano. Todos nós sabemos e sentimos na própria pele que a crise que acomete o país é muito grande. Porém, é nos momentos de crise que, seguindo os exemplos do Coronel Delmiro, precisamos ter atitude. É isso que precisa acontecer urgentemente. Que as autoridades revejam a situação que a nossa gente vivencia e venham socorrer a cidade que agoniza lentamente, passivamente, covardemente!

Sinceramente, eu espero que o legado do Coronel Delmiro Gouveia contagie os homens que hoje que detêm o poder mas que, em sua grande maioria, só “lutam” e “agem” em seu próprio benefício. Que estes “detentores dos poderes constituídos” parem de olhar para os próprios umbigos e lutem vorazmente para devolverem à cidade e ao seu povo o orgulho de ser delmirense, honrando a memória do maior empreendedor do Nordeste brasileiro.

Neste dia 10 de Outubro, mesmo com alvoradas, cultos e evocações em memória do Pioneiro da Industrialização deste Nordeste tão bravo quanto ele, Delmiro Augusto da Cruz Gouveia possa nos perdoar pela nossa passividade diante do caos instalado onde tudo falta ao povo: remédio, médico, transporte, comida, segurança, atenção, carinho e respeito.

Encerro ainda citando Gregório de Matos Guerra, triste, pensativo, mas nunca cabisbaixo, desejando que a MINHA CIDADE seja merecedora do legado que nos foi gratuitamente deixado pelo grande Delmiro Augusto da Cruz Gouveia, perguntando ansiosamente: Minha amada Delmiro Gouveia “quem a pôs neste rocrócio? ... Negócio! Quem causa tal perdição? ... Ambição! E no meio desta loucura? ... Usura!!!”


DESCANSA, GOUVEIA... DESCANSA...

*Empresário

Postada em 10/10/2017 00:22 | Atualizada em 16/10/2017 22:21
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