20/03/2020 08:34:39
Bruno Mafra | Bruno Mafra
Cristianismo a brasileira e o corona vírus.
Divulgação/Google Imagens

Já fui fundamentalista...

Já tem malandro a pregar no Youtube fazendo a relação entre o “corona vírus” e a volta de Jesus. Jegue velho. Não é garoto novo convertido não. É jegue velho. Ser fundamentalista nessa idade, só tem uma explicação, é uma questão de grana.

Fui batizado em 1979, confirmei minha entrada para as fileiras católicas em 1989, quando realizei minha primeira comunhão com 11 anos de idade. Diferente dos meus amigos eu era um apaixonado pela instituição desde bem “cedo.” Depois da primeira comunhão ainda passei mais um ano frequentando as missas e fazendo parte do grupo de jovens (perseverança) até que resolvi que não iria mais.

Mas, tudo sempre pode piorar voltei cinco anos depois e nessa volta virei fundamentalista. Enveredei pelas teologias dispensacionalistas do final dos tempos humanos na terra. Orgulhoso de saber a “sagrada teologia” eu era um fundamentalista de muita fé com muito orgulho do babaca que eu me tornara. Em 1996 eu ainda ia fazer 17 anos. Abracei novamente a fé com todo o coração, com toda sinceridade, tornei-me bastante piedoso, conquanto até ali não pentecostal. Isso não bastava, e nos anos em que fiquei fora da igreja desenvolvi uma verdadeira fixação pela Bíblia como fundamento para toda e qualquer verdade.

Em 1999 resolvi que iria entrar pro Seminário Teológico Maior de Olinda e Recife. Bastaram dois anos no curso de filosofia para ele me mudar para sempre. Entrei fundamentalista no curso e saí um “teólogo negativo” (refiro-me à teologia negativa, tecnicamente falando). Era o ano de 2001 e dei início a minha revisão teológica total, que culminaria em uma radical reviravolta e na minha total desconversão do pacote teológico, claro sem perder os elementos centrais da fé cristã.

Naquele período dentro do seminário li a Bíblia toda quatro vezes. O fato de eu ter me tornado um “crente” que “pensa” não me fez abandonar a pesquisa acadêmica da Bíblia, que faço até hoje. O fundamentalismo ficou no passado e durou cerca de seis anos. É necessário dizer que fui fundamtalista porque é difícil quase impossível estudar dentro do ambiente religioso onde a regra é “facultar a evidência incontestável” em detrimento de uma fé que se apresenta como arremedo quase o tempo todo.

Claro que o fato de eu não ter me tornado um padre facilitou minha “desconversão ao pacote teológico”. Mas, sei bem que nada vai mudar ou parar. Padre es pastores estão já no Youtube falando “coisas santas”, a agindo como criminosos, com diferencial de receberem salário para manter a imbecilização coletiva.

É insuportável que religiosos fiquem 10 anos, 20, 30, sem pregar o evangelho de fato e vomitando asneiras fundamentalistas, com tudo de ruim que isso produz socialmente, de misoginia a homofobia, é um crime.

Pessoas más e doentes. Mas, assalariadas...

E agora com um conveniente: quanto mais COVID19, mas vão embolsar, pregando essas “COISAS SANTAS” ...

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