09/10/2018 10:29:42
Bruno Mafra | Bruno Mafra
O voto em proposta violenta pode decretar o fim da luta pela igreja no Brasil

Sempre discordei do teólogo Leonardo Boff quando fazia defesa da pluralidade de igrejas. Que fique claro que não estou aqui defendendo que uma única voz diga quem é Jesus, não é isso, apenas uma reflexão de que era preciso que ele assumisse que o cristianismo no Brasil tinha perdido o “controle de qualidade.” A vulgarização da leitura da Bíblia e suas mais variadas e malucas interpretações nos levaram a este momento crucial na vida pública brasileira em que o “voto cristão manada” pode decidir as eleições.

As pesquisas recentes dos institutos não deixam dúvidas da supervalorização dos temas morais e de que uma ética bíblica construída sobretudo sobre os escritos do velho testamento determinam a postura eleitoral de católicos e evangélicos mais conservadores. É a conhecida “esquizofrenia teológica” que acontece quando grupos religiosos sob forte pressão social passam a buscar no seu livro sagrado respostas contra o que entendem ser um risco a sua forma de vida.

Foi exatamente o que aconteceu no Brasil. As igrejas reagem agora nas urnas aos movimentos sociais que vieram as ruas lutar pela legalização do aborto, casamento homoafetivo, a possibilidade do ensino sobre identidade de gênero nas escolas e as paradas LGBT(s) que vem nos últimos anos vem trazendo entre seus manifestantes homossexuais vestidos de Papa, padres, Freiras e o ponto culminante a transexual crucificada e que na explicação dos participantes simbolizava que Jesus está entre eles como sofredor e excluído. Mas, cristãos conservadores interpretaram com um escárnio ao sacrifício do Jesus por toda a humanidade e esse entendimento foi vencedor entre os religiosos.

As igrejas hoje no Brasil em sua grande maioria não tem reposta ao mundo que se apresenta a sua frente. As pessoas querem se afirmar e viver formas diferentes da vida prescrita pela tradição. Interessante que o discurso cristão já tem dois mil anos de imposição social a camadas da sociedade. E seu discurso não faz concessões o que o torna violento. Mas, porque isso não é percebido? Por causa da convicção de possuir a verdade fundamental que é a chave da felicidade dentro dessa crença para todas as vidas humanas. A vida que a recusa será uma vida infeliz. MITO!

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