23/09/2020 12:45:11
Bruno Mafra | Bruno Mafra
Religião e políticas públicas - parte 02
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O governo Bolsonaro tem uma concepção de estado alinhada a ao cristianismo conservador que o apoiou na eleição. O estado é laico, mas assume uma identidade cristã confessional. A prova disso está em cargos importantes agora ocupados por figuras ligadas a igrejas.
São no total oito religiosos que estão no primeiro escalão ou cargos importantes.

Ministério da mulher, família e direitos humanos- Pastora Pentecostal Damares Alves.
Ministério das relações exteriores - Católico tradicionalista Ernesto Araújo.
Ministério da cidadania - Luterano Onix Lonrezoni.
Ministério do turismo - Membro da igreja Maranata Marcelo Álvaro Antônio.
Ministério da justiça - Pr. Presbiteriano André Mendonça.
Ministério da educação – Pr. Presbiteriano Milton Ribeiro.

Ministério da secretaria de governo – General Luiz Eduardo Ramos membro da Igreja Batista.
Presidente dos Correios - General Floriano Peixoto católico tradicionalista que assinou o termo de consagração do Brasil a Nossa Senhora em cerimônia com o comparecimento do Presidente da República.

Está evidente uma ofensiva de confessionalização do estado brasileiro por parte dos evangélicos pentecostais subsidiados por católicos carismáticos tradicionalista que se concentram nas áreas das relações exteriores, dos direitos humanos da cultura e conhecimento. É desse lugar de poder que desejam aumentar sua influência na sociedade brasileira que é sincrética e pluralista.

Querem travar aquilo que eles chamam de guerra contra o marxismo cultural. Aqui dois ministérios se destacam. O Ministério das relações exteriores ocupado pelo nacionalista, antiglobalista, inexperiente e obscuro Ernesto Araújo que em artigo publicado disse:
“Um Deus poderia salvar o ocidente, um Deus operado pela nação – inclusive e talvez principalmente a nação americana”. Segundo Araújo, se o filósofo alemão Martin Heidegger, crítico ao papel central dos EUA para o Ocidente, tivesse assistido a um discurso de Trump, ele observaria, porém, que somente o republicano “pode ainda salvar o ocidente. ”

As falas dele estão por toas redes sociais. Tipo essa: “ Nossa luta será contra as pautas abortistas e anticristãs).
Seu ato mais conhecido foi a tentativa de mudar a embaixada do Brasil em Israel que fica em Tel Aviv para Jerusalém tentando fazer um alinhamento com a política de Donald Trump. Essa medida foi aplaudida pelo setor evangélico brasileiro no congresso nacional sob a argumentação de que o fortalecimento de Israel em Jerusalém é importante para o cumprimento da profecia da segunda volta de Cristo e do “armagueddon” naquele lugar. A mudança não aconteceu por causa da pressão dos ministérios da agricultura, indústria e comércio que contabilizaram futuros prejuízos com as exportações do Brasil para os países árabes.

Já O ministério dos direitos humanos é um nicho de ações concercervadoras que visa atingir certos segmentos da sociedade civil, mulheres, juventude, minorias étnicas, família. A Ministra Damares tem duas frases que revelam como esse conservadorismo cristão capturou certos setores do estado para fazer valer as suas concepções. A primeira dela antes de sua posse foi: “É a igreja evangélica e não a política que vai mudar a nação” “A igreja evangélica perdeu espaço quando deixou a teoria da evolução entrar nas escolas. ”Em audiência pública na comissão de defesa dos direitos humanos no Congresso Nacional ela disse: “A mulher deve ser submissa ao homem no casamento.” É uma formação que remonta uma teologia presente no Antigo Testamento com base em Levítico e Deuteronômio.

Desse comportamento da ministra já brotaram algumas ideias de políticas públicas como a de bonificar financeiramente a mulher que vítima de estupro deseje manter a gravidez e criar o filho.
Continua...

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