07/02/2019 19:30:15
Emerson Emídio | Emerson Emídio
Bate-boca e clima quente marcam abertura das sessões na Câmara de Vereadores de Delmiro
Edis se desentenderam por conta de requerimento apresentado por Cacau Correia que pede à Promotoria de Justiça de Delmiro que entregue cópia à Casa Legislativa da investigação de supostas irregularidades enviada ao Ministério Público contra gestor
Ascom Vereadores de Delmiro Gouveia

 A reabertura dos trabalhos legislativos de Delmiro Gouveia, Alto Sertão de Alagoas, ocorrida na manhã desta quinta-feira (7), foi marcada por muito desentendimento e bate-boca.

Como havia dito no quadro ‘Rapidinhas da Política’ do último domingo (3), a relação entre Legislativo e Executivo não é a das melhores possíveis.

O vereador Francisco de Assis, conhecido como Kinho (PRP), utilizou a tribuna para falar sobre comentários envolvendo vereadores. Ele afirmou que o prefeito demitiu vários funcionários sobre a ótica de que eles seriam ligados aos edis. “Ele esquece que vereador não tem poder de decisões na prefeitura e, que essas pessoas, na verdade, são amigas do próprio prefeito e estão sofrendo com perseguição política”, disparou.

Kinho disse ainda que o gestor de Delmiro não pode culpar os vereadores e que, no final das contas, a ‘caneta’ está nas mãos dele.

Ao usar a tribuna, o vereador Enoque Batista do (PHS) falou sobre projetos simples e que podem ser implementados no município. “Muitas vezes, a criança sai de casa de manhã e vai à escola sem tomar café. Custa muito para o município fazer isso? Cuidar da nossa gente é isso. Eu mesmo apresento requerimentos pedindo para calçar ruas e não sou atendido”, afirma.

Enoque também explanou que o bairro Pedra Velha está abandonado e que o bom político não está nas ruas apenas em época de eleição. “Foi feita aquela votação da taxa de iluminação pública e cadê? A gente vai aos povoados, lâmpadas queimadas. A gente vai ficar calado? Omisso? Não aceito que me usem como bode expiatório”, enfatiza.

A confusão teve início após a fala do vereador Cacau Correia (Podemos), o edil fez um retrospecto sobre a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e pediu para que à Promotoria de Justiça envie cópia à Câmara dos dados enviados ao Ministério Público Estadual (MPE), que investiga supostas irregularidades na gestão municipal. (Veja aqui).

Vale ressaltar que os vereadores encaminharam algumas emendas, a exemplo da construção de uma praça no Distrito Sinimbu, a pedido de Casagrande e de recursos à casa de apoio de Delmiro, em Maceió, a pedido da vereadora Fabíola Marques e que foram vetados por Eraldo Cordeiro (PSD) e derrubados pela Câmara em sessão extraordinária realizada no dia 22 de janeiro. Projetos em benefícios do povo, de acordo com os vereadores propositores.

Em seguida, o Executivo anunciou a construção da praça no Distrito de Sinimbu. As obras já tiveram início, segundo a gestão municipal.

“Nós votamos nesta Casa todos os projetos que vieram do Executivo e vou dizer ainda mais seu presidente, sem fazer um amplo debate. Em alguns pontos, o parlamento errou e não fez a discussão dos projetos em benefício da sociedade”, disse Cacau.

Em seguida, o vereador pediu ao presidente da Casa para que com transparência, os amigos edis votassem o requerimento apresentado por ele. Cacau solicitou que à Câmara de Vereadores tenha acesso ao processo enviado pela 3ª Promotoria de Justiça, sediada no município, ao Ministério Público Estadual (MPE), com denúncias de possíveis irregularidades na gestão municipal.

O requerimento foi aprovado por unanimidade. O vereador Geraldo Xavier (PSD) disse que o pedido de Cacau não cabia ao momento. O clima ficou quente e Pedro Paulo (PT) também entrou na questão da validade ou não do ato do colega parlamentar. Na ordem do dia, o requerimento foi colocado para votação e mais uma vez aprovado.

O regimento interno da Câmara diz no artigo 145, no inciso I, que os requerimentos a que se refere o artigo devem ser apresentados no expediente da sessão, lidos e encaminhados a Ordem do Dia, para discussão e aprovação e, logo após, encaminhados à 1ª Secretaria para as providência solicitadas.

No parágrafo único do artigo 140, das disposições preliminares dos requerimentos, aponta: Quanto a competência para decidi-los, os requerimentos são de duas espécies: I – Sujeito apenas a despacho do presidente; II – Sujeito à deliberação do plenário.

“O presidente declarou aprovado e vai ser constado em ata e encaminhado. Como os vereadores da situação dizem que o prefeito é um homem honesto, porquê estão com medo? Quem não deve, não teme”, finaliza Cacau.

Em todo este marasmo em que se deu esta sessão, uma pergunta vem à tona. Qual o dever da Câmara de Delmiro Gouveia? Acho que todo cidadão tem a resposta na ponta da língua. Fiscalizar.

Após o fim da sessão, alguns vereadores continuaram a discussão sobre essa pauta bomba e que mexeu com os ânimos da Casa Legislativa.

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