11/09/2019 12:52:21
Jairo Ribeiro | Jairo Ribeiro
Sem salários, trabalhadores do Canal do Sertão serão demitidos

Quem não recorda da música cantada por Nando Cordel, intitulada “Pague meu Dinheiro”?.

E esse sucesso voltou e é ecoado no Sertão de Alagoas nas vozes de 260 trabalhadores que tentam concluir o Trecho 4 da infindável obra do Canal do Sertão.
A empresa responsável pela obra não tem dinheiro para bancar os salários dos empregados. Outros 136 trabalhadores já foram demitidos e agora será a vez do restante. A ingrata notícia deve ser anunciada nos próximos dias e assim – mais uma vez – os trabalhos param.

Chamo a atenção para uma conta lógica. São ao todo 425 trabalhadores demitidos. São 425 famílias que vão passar necessidades. Serão 425 famílias de desempregados espalhadas em Olho d’Água das Flores, São José da Tapera, Piranhas e outras cidades sertanejas. Quem vai alimentar esse povo?
A pendenga é a costumeira de sempre.

A previsão inicial no Orçamento do Ministério do Desenvolvimento Regional era liberar cerca de R$ 64 milhões este ano. Deste total, foram liberados R$ 30 milhões em março.

A bancada federal de Alagoas, lá em Brasília, ainda conseguiu uma suplementação no Orçamento da obra e a dotação atual para este ano aumentou de R$ 60 milhões para R$ 124 milhões.

Em julho todos ficaram alegres quando os R$ 60 milhões chegaram a ser empenhados. Mas a alegria durou pouco. O recurso não foi liberado e a empresa não conseguiu pagar os salários dos trabalhadores.

Informações do Painel do Orçamento Federal confirmam o tramite do valor

Segundo o secretário estadual de Infraestrutura, Maurício Quintella, a situação está bastante difícil. Ele confirma que o Ministério do Desenvolvimento Regional só tem priorizado a distribuição de verbas na razão de 65% para habitação, ou seja, para o Programa Minha Casa Minha Vida e 35% para obras hídricas. O Governo de Bolsonaro enxerga viabilidade apenas para as obras hídricas de execução direta, a exemplo da Transposição do São Francisco. Com isso, o Canal do Sertão deve sofrer uma paralisação até que essa situação seja resolvida.

Quintella enfatiza que dinheiro tem. O que não existe é vontade para com a obra e principalmente com o povo sertanejo. Uma típica pendenga política de Bolsonaro com o governo de Renan Filho – mais precisamente com os Renans (pai e filho) – e quem vai pagar é o povo.

O caos volta a se instalar no Sertão. O Trecho 4 já tem cerca de 90% da obra concluída, com previsão de término em 2020, mas diante da falta de compromisso do Governo Federal ninguém mais aposta quando os trabalhos serão reiniciados e concluídos.

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Em nota, a assessoria da empresa negou a informação do salário atrasado de seus empregados. 

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