Em sessão ordinária realizada na Câmara Municipal de São José da Tapera, o vereador Hernandes do Caboclo (MDB), integrante da base aliada do prefeito Jarbas Ricardo (MDB), protagonizou um episódio que acende alerta sobre a postura de alguns representantes do Poder Legislativo e nos lembra sobre a importância do voto.
Em fala exaltada e com tom de ameaça, o parlamentar, que usa suas redes sociais para publicar foto segurando uma pistola, cobrou a destinação de um caminhão-pipa exclusivamente para o povoado Caboclo indicado por ele e afirmou que não aceitaria outro veículo que não fosse o seu indicado, por ter sido ele quem fez a indicação.
Ao condicionar a distribuição de um serviço essencial à sua intermediação política, Hernandes desrespeita justamente o povo que diz representar. Água é um direito básico. Caminhão-pipa é serviço público. E serviço público não pertence a vereador A ou B, nem a líder comunitário X ou Y. Ele pertence a todos os cidadãos, sem distinção de povoado, cor partidária ou apadrinhamento.
Quando um agente público usa a tribuna para ameaçar o próprio povo e barganhar necessidades básicas como moeda de troca política, ele inverte a lógica da democracia. Em vez de cobrar soluções estruturais para o abastecimento, opta pelo discurso do "favor" e do "cabide".
O vereador esquece que foi eleito para fiscalizar e legislar em prol do coletivo, não para tutelar benefícios como se fossem propriedade pessoal. Falar em nome do "povo caboclense" e, na sequência, ameaçá-lo, é um contrassenso que enfraquece a credibilidade da Casa.
O que piora ainda mais o fato é que, segundo é especulado em São José da Tapera, Hernandes do Caboclo será o próximo presidente da Câmara de Vereadores. E muitos já se questionam "se o citado vereador faz isso hoje, o que não fará se de fato chegar a ser o presidente da Casa?".
Diante da gravidade das declarações, espera-se uma atitude do prefeito Jarbas, já que o vereador faz parte da sua base política, e da Comissão de Ética da Câmara Municipal. É papel do colegiado analisar se a conduta do vereador fere o decoro parlamentar e os princípios da administração pública. Um representante do povo não pode ameaçar o próprio povo que representa. A população merece respeito, e não chantagem.
O Correio Notícia tentou contato com o vereador, mas não obteve êxito. Não obstante, o espaço permanece aberto para que Hernandes do Caboclo esclareça o contexto do pronunciamento, a fotografia publicada nas redes sociais e a possível indicação para presidir a Câmara.
Utilize o formulário abaixo para comentar.
Dólar5,11945,1224-0.0145
Euro5,84455,8582-0.024015


