A equipe econômica apresentou nesta sexta-feira (29) os principais pontos da proposta de orçamento para 2026 enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional.
O documento define como temas importantes do orçamento público para o próximo ano como:
O projeto de lei também confirmou o objetivo da equipe econômica de buscar um superávit nas contas do governo no próximo ano, mas, no fim das contas, estimou que continuará havendo rombo fiscal em 2026.
A votação do Orçamento do ano seguinte é requisito para o encerramento do ano parlamentar. Com a aprovação, deputados e senadores poderão iniciar o recesso de fim de ano.
Se o orçamento não for aprovado, como aconteceu neste ano, o governo começa o ano com restrições.
Veja os principais pontos
?? 1) O governo enviou ao Congresso Nacional a proposta de que o salário mínimo suba dos atuais R$ 1.518 para R$ 1.631. Os R$ 113 a mais representam uma alta de 7,44% em relação ao patamar atual.
A proposta considera a nova política permanente de valorização do salário mínimo do governo do presidente Lula, já aprovada pelo Congresso Nacional, com aumento acima da inflação (limitado a 2,5% ao ano). O salário mínimo serve de referência para quase 60 milhões de pessoas.
O valor proposto ainda é provisório. O número definitivo, porém, será conhecido somente em dezembro deste ano — quando será divulgado o INPC de novembro (que serve de base para a correção).
?? 2) O orçamento enviado ao Legislativo pela equipe econômica traz um objetivo de um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões, para as contas do governo.
De acordo com o arcabouço fiscal, a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões (considerando o intervalo de tolerância).
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo de R$ 57,8 bilhões. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais).
Na prática, portanto, a previsão é de que o governo tenha um rombo de R$ 23,3 bilhões nos cofres públicos em 2026 – mesmo que, para o cálculo oficial da meta, apresente um resultado positivo.
Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o governo Lula.
Para tentar atingir a meta fiscal do ano que vem, a equipe econômica anunciou que conta com o aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), que foi derrubado pelo Congresso e depois retomado com decisão do Judiciário.
A equipe econômica também considera a medida provisória que eleva uma série de impostos, como sobre empresas (juros sobre capital próprio), "fintechs", apostas online, criptoativos, cooperativas e títulos incentivados — como LCI e LCA para tentar atingir o resultado.
A medida sofre resistência do setor produtivo. Se for derrubada, toda, ou em partes, a equipe econômica terá de fazer ajustes no orçamento, antes de sua aprovação pelo Legislativo, para compensar a perda de recursos e tentar atingir a meta fiscal.
Além do aumento de impostos, a área econômica também conta com o aumento de arrecadação decorrente de outras medidas, tais como:
Aumento de arrecadação no valor de R$ 19,8 bilhões com a redução de benefícios fiscais (concedidos a setores da sociedade), considerada uma receita condicionada, ou seja, que depende de aprovação pelo Congresso Nacional.
Previsão de arrecadação de R$ 20 bilhões com o PTI, chamado de Programa de Transação Integral, que permite a renegociação de débitos tributários inscritos em dívida ativa da União, com valor igual ou superior a R$ 50 milhões.
O governo também prevê R$ 31 bilhões em 2026 na venda da participação da União em leilões de petróleo, modelo adotado em leilões adjacentes no fim deste ano.
O Tesouro Nacional também considerou, sem suas projeções de receitas para o ano de 2026, R$ 54 bilhões em dividendos de empresas estatais.
?Ao todo, a área econômica considerou uma estimativa de receitas condicionadas – medidas que ainda têm de ser confirmadas pelo Congresso Nacional –, receitas extraordinárias, dividendos de estatais e leilões de petróleo no valor de R$ 145,8 bilhões no próximo ano.
?Enquanto o governo avança com rapidez para aumentar de impostos, a agenda de cortes de gastos estruturais caminha com morosidade. Até o momento, o governo propôs conter os supersalários de servidores e uma reforma da previdência para os militares — mas ambas enfrentam dificuldades no legislativo.
?? 3) O governo separou R$ 12,1 bilhões para reajustes de servidores do Executivo em 2026 já negociados, além de outros R$ 4,4 bilhões a novas pactuações programadas para o próximo ano.
Os recursos serão utilizados, principalmente, para honrar acordos negociados em 2024, em duas parcelas anuais, em Mesas Específicas e Temporárias de Negociação que englobaram quase 100% dos servidores do Executivo.
Os acordos contemplaram aumentos salariais para os servidores em dois anos, com diferentes índices de correção por categoria. A primeira parcela dos reajustes foi paga neste ano, com impacto de R$ 16 bilhões nas contas públicas.
Os valores também englobam como os recentes acordos firmados com servidores da Receita Federal e médicos das instituições federais de ensino.
De acordo com o governo, os aumentos salariais ajudam no aumento previsto das despesas com pessoal do Executivo, de R$ 315 bilhões, neste ano, para R$ 350,4 bilhões em 2026
?? 4) O governo informou que não vai propor reajuste para o Bolsa Família no ano que vem, marcado por eleições presidenciais. Desde que foi relançado em março de 2023 pelo governo petista, o Bolsa Família não teve reajuste.
Para o próximo ano, a área econômica propôs R$ 158,6 bilhões para o programa. O valor é R$ 8,6 bilhões inferior aos R$ 167,2 bilhões previstos no projeto de orçamento de 2025, divulgado em agosto de 2024, para o Bolsa Família.
Em agosto, o governo realizou o pagamento do benefício para cerca de 19,2 milhões de famílias no Brasil.
No ano passado, quando foi divulgada a proposta de orçamento deste ano, o benefício englobava 20,9 milhões de famílias em situação de pobreza.
Para ter direito ao benefício, a renda mensal por pessoa deve ser de até R$ 218, e o Cadastro Único para todos membros familiares deve estar atualizado. O valor mínimo pago por família é de R$ 600,00.
Além disso, há benefícios adicionais cumulativos. São eles:
- R$ 150,00 por criança de até 6 anos.
- R$ 50,00 por gestante.
- R$ 50,00 por jovem entre 7 e 18 anos incompletos.
- R$ 50,00 por bebê de até 6 meses de idade.
?? 5) O projeto de lei enviado pelo governo ao Congresso Nacional com a proposta de orçamento para 2025 também prevê R$ 40,8 bilhões para emendas parlamentares.
O valor não contempla, entretanto, as emendas de comissão, que o governo delegou decisão ao Congresso Nacional. Para alocar recursos para essas emendas, o Legislativo terá de fazer cortes em outras áreas.
Emendas parlamentares são recursos do Orçamento que deputados e senadores podem determinar onde serão aplicados. Geralmente, a verba é repassada para obras e projetos nos estados de origem dos parlamentares.
O valor total das emendas é maior do que o proposto pelo governo em 2024 (R$ 37,6 bilhões) e em 2025, quando somou R$ 38,9 bilhões.
No ano passado, apesar da proposta do governo, os parlamentares inflaram o valor, que atingiu R$ 53 bilhões.
O governo controla o ritmo de liberação das emendas e, em geral, tende a autorizar o seu pagamento em momentos que precisa fortalecer o apoio no Congresso Nacional. O dinheiro é importante em negociações entre Executivo e Legislativo.
?O aumento dos recursos para as emendas parlamentares consome espaço no valor total dos gastos livres do governo - que são limitados.
Com isso, sobra menos dinheiro para políticas importantes, como: bolsas do CNPq e da Capes; investimentos em infraestrutura; Pronatec; emissão de passaportes; programa Farmácia Popular; bolsas para atletas; fiscalização ambiental e do trabalho, entre outros.
??7) A equipe econômica propôs, no orçamento de 2026, um valor de R$ 1 bilhão para o fundo eleitoral. No próximo ano, estão marcadas eleições para presidente, vice-presidente, deputados e senadores.
????O Fundo Especial de Financiamento de Campanha – conhecido popularmente como "Fundo Eleitoral" – é uma reserva de dinheiro público para financiar campanhas eleitorais.
Na proposta de orçamento de 2024, o governo propôs um valor de R$ 940 milhões, mas o Congresso elevou a dotação em R$ 4 bilhões, ou seja, para R$ 4,9 bilhões – um valor recorde.
Segundo o Ministério do Planejamento, se não houvesse o fundo eleitoral, a previsão para as emendas parlamentares seria R$ 1 bilhão maior: R$ 41,8 bilhões.
??8) O governo pretende destinar R$ 85,5 bilhões de recursos públicos para investimentos em 2026.
O valor é o piso definido pelo arcabouço fiscal – norma que substituiu o teto de gastos de 2023 em diante. A execução desses gastos com investimentos, entretanto, não é obrigatória.
Isso porque os investimentos são uma parcela das chamadas "despesas discricionárias" — que o governo não é obrigado a gastar. Ou seja, precisam estar previstos no Orçamento, mas, em caso de aperto financeiro, costumam ser contingenciados ou bloqueados.
O governo deve priorizar as obras públicas do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), que sofrem com restrições de recursos e paralisações.
Utilize o formulário abaixo para comentar.