Uma semana após as prisões dos primeiros suspeitos, as investigações sobre o assassinato de Cícero Rosa do Nascimento, de 30 anos, continuam avançando em Inhapi. A Polícia Civil de Alagoas (PC/AL) já identificou e prendeu dois homens apontados como participantes diretos da execução do vigilante, morto a tiros na noite do último dia 18 de maio, em uma estrada vicinal no Sítio Curralinho, zona rural do município.
Em entrevista ao Correio Notícia, o delegado regional Rodrigo Rocha Cavalcanti confirmou que a autoria material do crime está praticamente esclarecida e que as investigações agora concentram esforços para identificar e responsabilizar o possível mandante.
Embora não tenha revelado oficialmente os nomes dos investigados por questões legais, a reportagem apurou que os presos são Leonardo Bezerra dos Santos, de 29 anos, e um homem identificado como Maurício.
"Todos são investigados. A gente representou pela prisão deles e foi decretada a desses dois", afirmou o delegado.
Prisão de suspeitos
Um dos mandados foi cumprido contra Leonardo Bezerra dos Santos, localizado em uma residência no bairro Campo Grande, em Delmiro Gouveia.
De acordo com o boletim policial, os militares precisaram realizar um cerco no imóvel após diversas tentativas de contato sem resposta. Diante da suspeita de possível fuga, foi necessário o ingresso na residência para cumprimento da ordem judicial.
Após ser localizado, Leonardo foi conduzido para exame de corpo de delito e posteriormente apresentado no Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) de Delmiro Gouveia.
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Deficiente físico segue investigado
As investigações também apontam para o envolvimento de um homem com deficiência física, citado desde os primeiros levantamentos policiais.
Segundo informações apuradas pelo Correio Notícia, a Polícia Civil representou pela prisão do investigado por entender que havia elementos indicando possível participação no planejamento do crime.
Entretanto, o Poder Judiciário não acolheu o pedido, entendendo que, neste momento, não existem elementos suficientes para justificar a prisão cautelar do suspeito.
Apesar disso, ele continua sendo investigado e poderá ser indiciado caso surjam novas provas durante a continuidade do inquérito.
Crime teria sido planejado
As apurações apontam que o homicídio foi cuidadosamente planejado.
Imagens de câmeras de monitoramento analisadas pela Polícia Civil mostram a movimentação dos suspeitos antes do assassinato. Conforme a investigação, Cícero teria sido monitorado durante boa parte do dia e seguido quando deixou a cidade em direção à zona rural.
A execução ocorreu em um trecho isolado da estrada, distante de residências e com pouca movimentação de pessoas.

Suspeitos negam participação
Durante os interrogatórios, os investigados negaram envolvimento no assassinato.
Segundo o delegado Rodrigo Rocha Cavalcanti, a versão apresentada pelos presos é de que eles apenas estavam "no lugar errado, na hora errada".
A Polícia Civil, no entanto, afirma possuir elementos suficientes para vincular os investigados à execução.
Possível mandante é alvo da investigação
O principal foco da investigação agora é identificar quem teria encomendado o crime.
O delegado confirmou que existe uma linha de investigação bem definida, mas ressaltou que ainda não há provas formalizadas que permitam a divulgação oficial de nomes.
"A autoria intelectual já está sendo investigada. Eu não posso comentar nem divulgar porque ainda não há nada concreto", afirmou.
Rodrigo Cavalcanti destacou que qualquer acusação precipitada pode prejudicar o andamento do inquérito e comprometer a produção de provas.
Dívida pode ter motivado assassinato
Ao contrário do que chegou a circular em comentários nas redes sociais, familiares afirmam que Cícero Rosa não atuava como agiota.
Segundo relatos prestados à Polícia Civil, a vítima havia vendido um veículo e emprestado parte do dinheiro a uma pessoa conhecida. Com o passar do tempo, passou a cobrar o pagamento da dívida, que teria alcançado valor significativo.
A principal hipótese investigada é que o devedor, para evitar quitar o débito, teria contratado terceiros para executar Cícero.
Entre as informações que chegaram aos investigadores está a suspeita de envolvimento de um comerciante conhecido na região, que possui antecedentes relacionados a crimes de roubo a banco. Contudo, até o momento, não existe indiciamento formal nem acusação oficial contra qualquer pessoa na condição de mandante.
Por essa razão, a Polícia Civil mantém cautela e segue realizando diligências para reunir provas que confirmem ou descartem essa linha investigativa.
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Caso continua sob investigação
Rodrigo Rocha Cavalcanti informou que conduziu as primeiras fases da investigação durante o período de férias do delegado Andrey Araújo, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da 1ª Região.
Com o retorno do delegado Andrey, o inquérito entra em uma nova etapa, voltada à conclusão da investigação e ao esclarecimento definitivo da motivação do crime.
O assassinato de Cícero Rosa provocou forte comoção em Inhapi. Filho de Antônio Celeste, também assassinado anos atrás no município, ele era bastante conhecido e trabalhava como vigilante noturno.
A Polícia Civil afirma que o caso está praticamente esclarecido quanto aos executores, mas as investigações continuam para identificar todos os envolvidos na trama criminosa e, principalmente, quem teria ordenado a execução.
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