O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Delmiro Gouveia, ofereceu denúncia contra o policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho, acusado de assassinar os colegas de equipe Denivaldo Jardel Lira Moraes, de 47 anos, e Yago Gomes Pereira, de 33 anos, durante a madrugada do dia 20 de maio de 2026, no município de Delmiro Gouveia, no Alto Sertão de Alagoas.
Na denúncia, assinada pelo promotor de Justiça Dênis Guimarães de Oliveira, o Ministério Público sustenta que as provas reunidas durante a investigação demonstram que o crime foi cometido de forma premeditada e sem qualquer possibilidade de defesa das vítimas.
"Os elementos fáticos e periciais reunidos nos autos revelam que o crime foi executado de forma traiçoeira, covarde e de surpresa", destaca o documento.
Crime abalou a Polícia Civil
O caso teve enorme repercussão em Alagoas e em todo o país. Conforme mostrou o Correio Notícia à época, os três policiais retornavam de uma ocorrência quando, ainda dentro da viatura descaracterizada da Polícia Civil, Gildate teria sacado uma pistola Glock calibre .40, pertencente à corporação, e efetuado diversos disparos contra os colegas.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil concluíram que o policial foi o autor do duplo homicídio, indiciando-o por dois homicídios qualificados. Agora, o Ministério Público adota o mesmo entendimento e pede que ele seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Execução ocorreu com viatura em movimento
Um dos principais pontos esclarecidos pela denúncia é que os assassinatos ocorreram com a viatura ainda em movimento, contrariando as primeiras especulações divulgadas logo após o crime.
Segundo o Ministério Público, Denivaldo Jardel foi o primeiro a ser atingido, recebendo um disparo pelas costas, na região da nuca, morrendo instantaneamente.
Já Yago Gomes, que conduzia o veículo, ainda tentou reagir ao ouvir o primeiro tiro, levantando instintivamente a mão direita para se proteger. Em seguida, foi atingido por um disparo na região da têmpora direita, perdendo o controle da direção.
Somente após o motorista ser baleado é que a viatura parou bruscamente. Na sequência, o acusado abriu a porta traseira, desceu calmamente do veículo e fugiu em direção à residência da companheira.
Laudos reforçam versão da acusação
De acordo com os laudos periciais citados pelo MPAL, não houve qualquer indício de luta corporal dentro do veículo.
Os exames balísticos e cadavéricos indicam que o denunciado ocupava posição de vantagem no banco traseiro, aproveitando-se da vulnerabilidade dos colegas para efetuar os disparos.
Os exames toxicológicos também confirmaram que as vítimas haviam ingerido bebida alcoólica antes dos fatos, apresentando índices de 2,1 g/L e 2,3 g/L de álcool no sangue, circunstância que reduziu significativamente seus reflexos e capacidade de reação.
Para o Ministério Público, entretanto, a embriaguez não altera a responsabilidade penal do acusado.
Embriaguez não afasta responsabilidade
Outro ponto destacado na denúncia diz respeito à alegação apresentada pelo policial após o crime, de que estaria desorientado.
Segundo o promotor Dênis Guimarães, ficou comprovado que Gildate não possui histórico de transtornos psiquiátricos ou tratamento relacionado à saúde mental.
O MP sustenta que eventual desorientação decorreu exclusivamente do consumo excessivo de álcool, situação que não exclui nem reduz sua responsabilidade criminal.
A denúncia ressalta ainda que, logo após os assassinatos, o acusado caminhou pelas ruas armado, escondendo a pistola apenas quando cruzava com outras pessoas. Ao chegar à casa da companheira, colocou a arma sobre um guarda-roupa, demonstrando, segundo o Ministério Público, plena consciência de que poderia ser procurado pelas autoridades.
Pedido de julgamento pelo Tribunal do Júri
Com base no conjunto probatório reunido pela Polícia Civil e pelos laudos periciais, o Ministério Público pede que Gildate Goes Moraes Sobrinho seja pronunciado e levado a julgamento pelo Tribunal do Júri, pelos crimes de duplo homicídio qualificado, praticados mediante recurso que impossibilitou a defesa das vítimas, em concurso material.
Caso condenado, responderá pelas sanções previstas no artigo 121, § 2º, inciso IV, combinado com o artigo 69 do Código Penal.
Investigação sobre motivação continua
Embora a autoria esteja definida, o Ministério Público entende que ainda é necessário aprofundar a apuração da motivação do crime.
Por isso, juntamente com a denúncia, requereu novas diligências, entre elas:
O objetivo é verificar eventual movimentação financeira atípica que possa indicar uma possível motivação econômica ou qualquer outro elemento ainda desconhecido que ajude a esclarecer definitivamente o caso.
O duplo homicídio dos policiais civis Denivaldo Jardel Lira Moraes e Yago Gomes Pereira foi um dos crimes de maior repercussão registrados em Alagoas em 2026, provocando forte comoção entre familiares, colegas de profissão e toda a sociedade sertaneja. Desde o primeiro momento, o Correio Notícia acompanhou de perto todos os desdobramentos da investigação, desde a prisão em flagrante do acusado, a audiência de custódia, a conclusão do inquérito policial e, agora, o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público.
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