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Eletrobras volta a cortar energia da Fábrica da Pedra por falta de pagamento
Indústria localizada em Delmiro Gouveia acusa concessionária de intransigência
Por Jota Silva
Parque industrial às escuras, devido ao corte da energia elétrica - Foto: Divulgação/WhatsApp

O que está acontecendo com a Fábrica da Pedra? Essa é a pergunta que os moradores da cidade de Delmiro Gouveia estão fazendo desde a tarde desta segunda-feira (28), quando a indústria têxtil teve mais uma vez o fornecimento de energia elétrica interrompido por conta de débitos com a Eletrobras Distribuição Alagoas.

A fábrica de 101 anos de existência, que pertence ao Grupo Carlos Lyra, consome mensalmente quase R$ 1 milhão de energia elétrica e devido à crise econômica que o país enfrenta não está conseguindo arcar com a despesa, pelo menos no valor integral.

Por este motivo, segundo a assessoria da indústria, como já havia realizado em outra ocasião, foi solicitado um parcelamento junto à Eletrobras, mas a concessionária não aceitou o pedido, decidindo pelo corte da energia de todo o parque industrial.

Ainda de acordo com a assessoria, a Eletrobras agiu de maneira intransigente, já que não compreendeu que diante da situação financeira em que se encontra, a indústria não tem condições de quitar os débitos, sem que seja por meio de parcelamento.

A reportagem apurou que a fábrica tem em aberto uma fatura no valor de R$ 735 mil que venceu no último dia 28 de fevereiro, mas que estava programada para pagamento nesta quinta-feira (31), mesma data do vencimento da fatura referente a este mês de março, que é de R$ 530 mil.

Mesmo com os pagamentos assegurados pela indústria, a Eletrobras não teria aceito a quitação de apenas uma parte do débito, avisando que o atraso de 60 dias acarretaria no corte do fornecimento. A atitude da concessionária está sendo questionada pela diretoria da fábrica, principalmente pelo fato do corte da energia do parque industrial ter ocorrido três dias antes do prazo final.

Em contato com a reportagem, a assessora da Eletrobras informou que a empresa não irá comentar o assunto.

A diretoria da fábrica insiste em um parcelamento do débito de R$ 1.265.000,00, referente às faturas de fevereiro e março. Enquanto não se chega a um entendimento, a indústria está parada e todos os operários aguardam em casa por uma solução do problema.

Dificuldade

Em fevereiro deste ano, a fábrica também teve o fornecimento elétrico cortado por falta de pagamento e por conta disso parou, mantendo apenas parte do funcionamento por meio de geradores elétricos. O Museu da Pedra, pertencente à indústria, também ficou sem energia.

Antes mesmo de ter a energia interrompida naquela ocasião, a indústria já vinha parando o setor de tecelagem, três ou quatro dias por semana, por falta de demanda no estoque. Quando isso ocorria, os trabalhadores do setor ficavam parados, cumprindo o horário de trabalho sem fazer nada.

Os cerca de 600 operários estão assustados com a possibilidade de perderem o emprego. “Fico imaginando o que será de mim e dos outros trabalhadores, caso a fábrica não consiga sobreviver a esse momento de crise que vive nosso país. Não estou nem conseguindo mais dormir direito, pensando nisso”, disse um funcionário, que preferiu não ter o nome divulgado.

Os comerciantes da região também estão preocupados com a situação, que pode agravar ainda mais a crise econômica, principalmente em Delmiro Gouveia. “Há anos a fábrica movimenta a economia do município e até da região. Se parar, será lastimável para todo o comércio”, disse o gerente de uma loja de calçados e confecções da cidade.

O ex-funcionário Zeca Queiroz, que trabalhou durante 36 anos na fábrica, disse que a indústria já conseguiu superar outras crises graves, como a que culminou no suicídio do diretor Antônio Carlos Menezes e no assassinato do fundador Delmiro Augusto da Cruz Gouveia. “Durante o tempo em que trabalhei na fábrica, nunca vi uma crise tão devastadora como esta. Antes o principal problema era somente o mercado, agora também é de gestão de governo”, disse.

O presidente da Câmara de Vereadores do município, Valdo Sandes, que também trabalhou na fábrica durante dois anos, disse que a situação é lamentável e que a classe política precisa se unir para ajudar a indústria. “Lamento muito a situação em que se encontra a fábrica, onde tive a honra de trabalhar. É preciso unir forças para salvá-la e garantir o emprego de centenas de pessoas”, disse.

A fábrica

Fundada no dia 5 de junho de 1914, pelo industrial Delmiro Augusto da Cruz Gouveia, a Fábrica da Pedra S/A Fiação e Tecelagem foi adquirida pelo Grupo Carlos Lyra, em 1992. É uma indústria prestes a completar 102 anos, que tem contribuído para o desenvolvimento econômico e social do sertão de Alagoas, e o restante do país.

Assista ao documentário que conta a história da fábrica:

Postada em 31/03/2016 01:15 | Atualizada em 31/03/2016 12:24
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