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Wilma Araújo

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Quem é Wilma Araújo? É professora graduada em Letras com habilitação em Espanhol pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
Se classe política e ricos defendem corte de “privilégios”, desconfie de perda de direitos
Quando classes marginalizadas obtêm acesso à previdência, aos direitos trabalhistas, à saúde, à educação e ao consumo de bens, as classes dominantes repetem o discurso de “corte de privilégios” para equilibrar as finanças públicas
Foto: Reprodução/Internet

Privilégios para ricos ou nobres nunca foi algo novo no Brasil, vemos isso nos livros de história, mais precisamente no período pré-colonial e colonial (1500 a 1822). Este período inicia com a extração e exploração do pau-brasil, seguido pelo povoamento da área colonial e, consequentemente, o centralismo político.

Da colônia até os dias atuais, pouca coisa mudou quando se trata de privilégios. A exploração econômica continua ceifando o que ainda resta do Brasil e vendendo aos europeus e também americanos; o brasileiro (índio, negro e pobre) ainda é tratado como mercadoria e pouco valorizado. Além disso, os ricos e os políticos vivem de privilégios e concentram a maior riqueza do país.

Mas vamos pensar assim, o Brasil mudou, não é mesmo? De fato. Nos últimos anos, vimos muitos brasileiros com casa própria, carro popular e cursando o ensino superior. Notamos também que o pobre teve acesso à educação, em alguns casos, adentrar e cursar uma universidade pública. Observamos uma melhora significativa na saúde (com programas sociais) e outros tantos ‘privilégios’ jamais vistos no país.

No entanto, o que não mudou? O que parece não ter mudado é o discurso político que usa palavras bonitas e uma propaganda ensaiada e cara para convencer o povo brasileiro de que medidas de “arrocho” serão benéficas, quando na verdade elas tiram direitos dos mais pobres, elas cobram a conta dos menos privilegiados pelos erros, abusos e privilégios dos ricos.

Como exemplo, podemos citar a Reforma da Previdência, que é focada, principalmente, no pequeno agricultor, no aposentado, na mulher e no trabalhador que recebe até um salário mínimo, como se essas categorias fossem as culpadas pelo suposto “prejuízo” desse sistema, o que não é verdade. Inclusive, é discutível até se esse prejuízo realmente existe. Estudos independentes, feitos por entidades de classe e da sociedade civil organizada, mostram que não, que o “rombo” trata-se apenas de falácia política para modificar a Previdência e, assim, beneficiar os maiores devedores dela, como bancos, grandes grupos empresariais e, também, políticos.

Um discurso cheio de “falácia” que enche os olhos dos ricos e convence a classe média a qual, por sua vez, custa a acreditar que, a cada dia, está mais distante do rico e mais perto do pobre. Desta forma, fica difícil desconstruir as falsas verdades que retardam a compreensão da desigualdade social, que norteia a sociedade brasileira.

Ainda que tarde acreditar e veja a imagem arranhada, observamos apoiadores dos ricos e empresários segurando fielmente o título de ‘classe média’ e crendo que estarão ilesos dos desmontes causados pela aprovação da Reforma da Previdência. Em contrapartida, notamos os realmente ricos incomodados em dividir o mesmo ar e privilégios com determinados segmentos antes marginalizados.

Aos olhos dos ricos e da classe média que se acha rica, os segmentos marginalizados causam transtorno quando andam de avião e frequentam os mesmos espaços (shoppings, praias, shows, etc). Afinal, para eles, o acesso à aposentadoria, à educação, à saúde, a viagens e a bens de consumo pelos pobres torna-se também um “privilégio”, quando, na verdade, nada mais são do que meros “direitos”.

Postada em 04/03/2019 11:26 | Atualizada em 04/03/2019 11:28
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