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Agnelo Tenório

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Quem é Agnelo Tenório? É bacharel em Direito, advogado militante, servo de Jesus.
Se Jesus é Deus, e Maria é Sua Mãe, Então Maria é Mãe de Deus, Certo?!
Foto: Divulgação/Internet

Sendo cristão convicto, creio que Jesus é Deus. Aliás, só é possível ser cristão, na essência mais verdadeira da palavra, quando acredita-se piamente que Jesus é Deus. Se acredito que Jesus foi apenas um bom homem, ou um grande religioso ou profeta, ou ainda um filósofo ou um sábio, porém se não acredito que Jesus é Deus, então não sou cristão.

Portanto, sendo cristão, e acreditando que estou escrevendo para um público formado predominantemente de cristãos, logo todos nós cremos que Jesus é Deus.
Sendo assim, então passemos agora ao tema que nos interessa: Maria é mãe de Deus?

Ora, como dito, Jesus é Deus, e como sabemos Maria foi a mãe de Jesus, então, inevitavelmente se conclui que Maria é mãe de Deus.
Certo ou errado?

À luz das Sagradas Escrituras, a resposta é clara. Porém, não será com um silogismo simples que se poderá chegar à resposta satisfatória para este, nem para nenhum outro ponto de fé. Assim como é perigoso complicar o que é simples, também é perigoso simplificar o que é complexo.

O dogma “Maria é mãe de Deus”, é um dos pontos que afasta qualquer possibilidade entre evangélicos e católicos unirem-se em torno da uma só fé, embora ambos os grupos aleguem ser cristãos. O fato é que, enquanto para os católicos a ideia de que “Maria é mãe de Deus”, constitui-se como um dos dogmas mais importantes da sua fé, que, aliás, sustenta grande parte dos seus valores religiosos e doutrinários; por outro lado, a ideia de que Maria (ou qualquer outra mulher) possa ser chamada de “mãe de Deus”, é uma afronta direta a toda base da fé evangélica. De forma que, enquanto para uns a ideia faz parte da sua crença, para outros a ideia é uma afronta à sua crença.

A suma é a seguinte: ninguém jamais poderá ser católico sem crer no dogma “Maria mãe de Deus”, ao passo que ninguém jamais poderá ser evangélico se crer no dogma “Maria mãe de Deus”.

Portanto, ainda que tudo o mais entre católicos e evangélicos fosse exatamente igual, porém a doutrina da maternidade mariana de Deus, faria com que fosse impossível qualquer tentativa de aproximação ecumênica entre esses dois grupos.

Para uns essa doutrina é perfeitamente santa, para outros é inaceitavelmente profana.

Notoriamente, a igreja católica tem uma atenção especial à pessoa de Maria, e isso todos sabemos, a tal ponto de existir na teologia católica um ramo de conhecimento exclusivo ao estudo de Maria, conhecido como “Mariologia”.

Segundo alguns teólogos, a ideia de que “Maria é mãe de Deus” teria nascido no Concílio de Éfeso, no século V. No entanto, é bom que se diga que a questão teológica que estava em debate no Concílio de Éfeso, e que foi o seu ponto central, não se tratava de Maria, mas sim de Jesus. A questão não tinha nenhuma relação com ela, mas o debate originou-se acerca da divindade de Jesus. Ou seja, o ponto era se Jesus seria ou não Deus.

Talvez por influência dos agnósticos (seita herege que distorcia as doutrinas cristãs) ou dos judaizantes (pessoas que se diziam cristãs mas que defendiam a necessidade da observância da Lei dada por Deus a Moisés, anulando assim a salvação pela Graça), alguns começaram a defender a ideia de que a natureza da pessoa de Jesus Cristo era apenas humana, e não divina.

O Concílio de Éfeso então foi convocado para se chegar a uma conclusão no tocante à divindade de Jesus (dentre outras questões teológicas), e a conclusão foi a seguinte: Jesus é Deus. Ou seja, a natureza de Cristo seria ao mesmo tempo humana e divina, como, aliás, as Santas Escrituras deixam bem claro.

No entanto, talvez pela atmosfera da cidade de Éfeso, onde os habitantes adoravam ardentemente uma divindade feminina (Atos 19), algumas pessoas presentes no  Concílio resolveram criar a frase: “Maria mãe de Deus”. Porém, repita-se, a ideia era a afirmação de que Jesus é Deus, apenas isso, e não a superioridade de Maria. Buscava-se, isto sim, a exaltação de Jesus, e não da sua mãe.

Desde então várias outras doutrinas foram sendo acrescentadas à fé católica, sempre no sentido de exaltação de Maria. Vejamos apenas alguns exemplos: virgindade perpétua em 1555; imaculada conceição em 1854; assunção da virgem Maria em 1950, dentre tantas outras. Iniciou-se no seio da igreja católica uma verdadeira “mariolatria”, que é a idolatria em torno da pessoa de Maria.

A primeira questão a ser notada é que nenhum dos dogmas doutrinários de exaltação à Maria, tem origem na Palavra de Deus, nem muito menos foi estabelecida por nenhum do apóstolos do Senhor.

Em outras palavras, não se encontra nas Santas Escrituras, nenhum fundamento para se defender as doutrinas de exaltação à pessoa de Maria. E isso é muito importante que seja dito, pois, quando defendia que era o Messias e que era Deus, o Senhor Jesus dizia: “examinai as escrituras, pois são elas que dão testemunho de mim” (João 5:39).

Ou seja, Jesus invocou as Santas Escrituras como prova de sua divindade. E obviamente quando ele se referia às “escrituras”, estava fazendo menção aos livros do que para nós cristãos seria hoje o Antigo Testamento (o Novo Testamento ainda não havia sido escrito). Observe-se, por exemplo, o texto de Isaias 7:14 que afirma que uma virgem conceberia, e daria à luz a um filho que se chamaria Emanuel, que traduzido é “Deus conosco”. Ainda em Isaías 9:6 quando foi profetizado que o Messias seria chamado de “Deus Forte” e “Pai da Eternidade”. Portanto, o Antigo Testamento testifica (comprova) que Jesus Cristo é o Messias e também que é Deus. O Novo Testamento também traz várias passagens que comprovam que Jesus é Deus (Mateus 1:23; João 1:1; Tito 2:13; Apocalipse 1:7,8, dentre outros).

No entanto, não há uma só letra em toda a Bíblia Sagrada que conceda à Maria qualquer título de “mãe de Deus”, “rainha do céu”, “mediadora”, “corredentora”, etc. A única alusão que o Antigo Testamento faz à Maria, que na verdade não é a ela mas a Jesus, é quando diz que o Messias nasceria de uma virgem (Isaías 7:14). Apenas isso, e nada mais.

Todos esses dogmas marianos são criações humanas, os quais foram sendo incluídos na doutrina católica no transcorrer da história. Alguns desses dogmas marianos são recentíssimos, como por exemplo o dogma da “Assunção de Maria”, estabelecida pelo Papa Pio XII, em 01 de novembro de 1950, ou seja, um dogma de fé com menos de 70 anos, de uma igreja que afirma ter nascido na era apostólica. Tal dogma afirma que Maria, assim como ocorreu com Jesus, teria sido levada corporalmente aos Céus. Porém, novamente aqui vemos a Bíblia afirmar claramente, e por mais de uma vez, que Jesus foi assunto aos Céus após sua ressurreição (Marcos 16:19; Lucas 24:51; Atos 1:9,10), porém não há nada na Bíblia que diga que Maria também tenha sido assunta aos Céus.

Sendo assim, e voltando ao ponto em questão, não há qualquer base bíblica para se defender que Maria seja mãe de Deus. Aliás, é bom que se diga que a própria expressão “mãe de Deus” já é algo inconcebível dentro da teologia bíblica e cristã. É que Deus é quem criou absolutamente tudo, e, se Maria fosse mãe de Deus, logo só poderíamos chegar à conclusão que Maria teria sido a criadora do universo. Mas todos sabemos que não foi ela. Mesmo porque, Maria também teve mãe, que no caso seria a “avó de Deus”. Se voltássemos na árvore genealógica de Maria, até chegar em Eva, então cada uma das mulheres seria ascendente de Deus (avó, bisavó, ...). A própria Eva seria “tatara....avó” de Deus. Mas como ela poderia ser ascendente de Deus, se foi Deus quem a criou?!

Se afirmo que Deus tem mãe, logo estou afirmando que Deus seria subordinado a alguém, no caso sua mãe. Mas, sendo subordinado, logo ele não poderia ser Deus, posto que Deus é Todo-poderoso, e se fosse subordinado a alguém, não poderia ser todo-poderoso.

Em Números 23:19 já se afirma que “Deus não é filho de homem...”, de tal forma que dizer que qualquer pessoas é mãe de Deus, afronta diretamente, não apenas esse texto, mas toda a Bíblia Sagrada.

Portanto, a simples expressão “Maria mãe de Deus” é totalmente inconcebível dentro da teologia cristã, a qual é fundamentada apenas nas verdades bíblicas. Todavia, como já dissemos, essa ideia não passa de uma criação humana, sem base bíblica alguma. Aliás, porque o Espírito Santo não inspirou nenhum dos apóstolos para fixar tal tese para que ficasse registada nas Sagradas Escrituras? Ora, sendo o apóstolo Pedro o primeiro Papa (segundo alegam), então porque ele não registrou nada em nenhuma das suas duas epístolas?

O interessante é que um dos nomes do Messias, pelo qual ele é chamado várias vezes, é de “Filho de Davi”. Essa expressão “Filho de Davi” era sinônimo de “O Messias”, uma vez que a promessa bíblica era que o Messias seria da descendência de Davi (por isso ser importante que Mateus e Lucas tragam o registro genealógico de Jesus, para que fique comprovado que era da descendência de Davi e Abraão). Mas a própria Bíblia afirma que Jesus, como homem, era descendente de Davi, por isso o nome “Filho de Dave” (Romanos 1:3,4).

Porém, mesmo a própria Bíblia chamando Jesus de “Filho de Davi”, em momento algum, ninguém na história dos judeus nem do cristianismo, afirmou o dogma de “Davi o pai de Deus”. Se um Judeu afirmasse tal ideia deveria ser apedrejado por blasfêmia. E nenhum cristão jamais defenderia tal ideia, pois é totalmente absurda dizer que alguém seja pai, ou mãe, de Deus.

A própria Maria afirmou que Deus era seu Salvador (Lucas 1:46), portanto como ela poderia ser mãe de Deus, ou intercessora ou corredentora?
Maria é um exemplo para todos nós: O amor por seu filho, mesmo quando todos o abandonaram, ela estava lá aos pés da cruz. Durante todo o ministério de Jesus, ela jamais quis algum lugar de posição, nem se valeu da condição de ser sua mãe em nenhum momento.

A argumentação de que Maria é mãe de Deus, uma vez que Jesus é Deus, e Maria é mãe de Jesus, não pode ser aplicada para defender o ponto em questão. Como dissemos, não é usando um simples silogismo que se resolve questões de fé. Se fosse assim, alguém poderia chegar ao absurdo de pensar que: se a Bíblia diz que todo homem é pecador; e se a Bíblia diz que Jesus foi homem; então só posso concluir que Jesus também pecou!

Este é o risco de se aplicar o silogismo simples para questões que envolvem fé.

Sim, a Bíblia diz que todo homem pecou, porém a Bíblia diz também que Jesus é a única exceção, ou seja, Jesus foi o único homem que jamais pecou. Sendo assim, a questão é: a Bíblia diz que todo homem, com exceção de Jesus, é pecador; a Bíblia diz que Jesus foi homem; então concluímos que todo homem, com exceção de Jesus, é um pecador.

Então como se revolve a questão inicial, ou seja: que Maria seria mãe de Deus, por ser Jesus Deus, e Maria sua mãe?

Vejamos o seguinte: um ser humano qualquer é filho dos seus pais (óbvio!). Ele é o produto genético daqueles que o geraram. Porém, o ser humano também tem um espírito, e que não foi gerado por seus pais, mas sim por Deus. A Bíblia diz que, ao morrer, o homem volta ao pó, mas seu espírito volta para Deus, que o deu (Eclesiastes 12:7). Assim, o corpo é fruto da mistura cromossômica entre os genitores (pai e mãe), mas o espírito é colocado no ser humano pelo sopro divino, assim como foi no Éden.

Sendo assim, Maria foi mãe sim de Jesus, porém do seu corpo, mas seu Espírito veio de Deus. Foi justamente isso que o anjo Gabriel anunciou a Maria, quando ela perguntou como poderia ficar grávida, uma vez que não conhecia homem, ou seja, uma vez que era virgem: “E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus”.  Lucas 1:35.

Portanto, Maria é mãe de Jesus, posto que o corpo do nosso Senhor foi gerado em seu ventre, porém mãe de Deus jamais, uma vez que o Espírito de Jesus não foi por ela gerado. Por isso que se diz que: como homem, Jesus teve mãe, mas não teve pai; como Deus, Jesus tem Pai, mas nunca teve mãe.

Postada em 29/12/2017 11:28 | Atualizada em 29/12/2017 13:31
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