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Antônio Melo

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Quem é Antônio Melo? Jornalista com experiência em assessorias, marketing político, portais de notícias e rádio, a exemplo da Jovem Pan e CBN (Sistema Globo de Rádio), onde participou de grandes reportagens, como Copa do Mundos dos EUA (1994) e morte de PC Farias (1996).
Podcast: as mulheres sertanejas e a violência dentro de casa
Os casos só aumentam enquanto as autoridades só acumulam inquéritos
Os casos só aumentam enquanto as autoridades só acumulam inquéritos - Foto: Arte/Observatório do Terceiro Setor

Tenho acompanhado, com muita tristeza e atenção, os constantes e diários registros de mulheres vítimas de violência e até feminicidios aqui no Sertão.

Me desperta o fato que quase nada e muitas vezes nada é feito em defesa das vítimas de sexo frágil, em sua grande maioria desempregadas e sobreviventes do trabalho dos companheiros, que as mantém sob o perverso clima do medo.

A poucos dias, lá em Olivença, no ápice da violência, um homem que não aceitava o fim de um namoro atirou contra a ex-namorada no local onde ela trabalha, matando a mãe da jovem.

Me surpreendeu o fato que a jovem, de tanto ser ameaçada pelo ex-namorado, já havia procurado a polícia e a Justiça relatando o drama que enfrentava.

É lamentável quanto é demorada a ação da justiça e da polícia contra tais bandidos quando as vítimas, claro, são pessoas iguais a mim e a você. No caso especifico de Olivença e em outros milhares semelhantes, se a justiça tivesse agido em tempo hábil e se a polícia tivesse ao menos ido buscar o suspeito e adotado providências, é muito provável que pelo menos uma vida teria sido salva. E não adianta desculpas.

No Sertão não existe Delegacias de Defesa da Mulher, também não existe a Patrulha Maria da Penha, feita pela Polícia Militar (PM) e o pior, não querem resolver os diários casos de violência contra as mulheres. Problema da polícia? Não. Não é somente das autoridades policiais.

A Justiça tem sim responsabilidade nisso pois só acumula os processos e não procura revolver os casos na “fonte”, além de demorarem uma eternidade até para darem uma sentença de separação.

Lembro também um outro caso de mulher assassinada pelo ex-companheiro, em São José da Tapera e que pasmem, a família da vítima não sabe mais a quem procurar para ser ouvida e o criminoso, bem, ele não passou um minuto sequer preso. Planejou e matou a mãe da própria filha, ainda menor, depois se apresentou e pronto. Nem o promotor de Justiça e nem o juiz se movimentam para pelo menos julgar o criminoso.

Em Delmiro Gouveia outra anomalia. Um homem espancou a ex-companheira que teve três costelas quebradas. Ele fugiu e só retornou na semana seguinte quando os vizinhos chamaram a polícia que levou o agressor até a delegacia. Lá, pasmem, os policias civis disseram que já havia excedido o período do flagrante e contra aquele homem não havia nada. Daí, o agressor foi liberado, retornando para casa, enquanto que a vítima continua internada em um hospital.

Em um outro extremo, foi iniciado no último mês de setembro e previsto para durar até outubro do próximo ano, um levantamento realizado pelo Instituto Justiça de Saia que procura identificar os números e as causas da violência política contra mulheres no Brasil. O instituto ressalta que a violência tem afetado tanto eleitoras quanto candidatas e mulheres eleitas para cargos públicos, e surte efeito não apenas no meio político. Nesse contexto o levantamento procura identificar os fatores envolvidos nessa forma de violência, bem como derrubar mitos relacionados à falta de participação feminina na política.

O que realmente passa na cabeça dessas autoridades? Partindo da máxima que a “Justiça é cega”, será que vamos aplaudir a cômica ação policial, que decidiu agir tardiamente para prender um jovem que todos em Alagoas sabiam onde ele morava e que em 2017 matou a tiros um policial em Maceió e estava foragido em Pernambuco e só foi preso agora porque o filho da vítima, que participa de um programa em uma emissora de televisão, decidiu abrir a boca e cobrar a prisão do matador do pai. Será que todas as vítimas de violência aqui em Alagoas vão ter que participar de algum programa em alguma emissora de televisão, fora de Alagoas, para ver quem a maltratou ser preso?

E enquanto mais mulheres apanham, são ameaçadas e até são assassinadas e não tem programa de televisão para denunciarem, as autoridades daqui se prontificam para as entrevistas e claro, para as selfies em suas longas férias e prazerosas viagens. Enfim, já passou do tempo de mudar não somente a cultura de mulher apanhar, mas principalmente das autoridades pararem de se “deliciar” com os inquéritos das pobres vítimas.

Postada em 05/11/2021 20:40 | Atualizada em 05/11/2021 20:53
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